A saúde mental na simplicidade da vida
- Sexta-Feira, 30 Janeiro 2026
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A saúde mental se desestabiliza quando esperamos que a vida só brilhe nos instantes extraordinários. Poderá ser afetada caso depositarmos o sentido da vida, a expectativa de felicidade e bem-estar apenas em momentos especiais, porque o coração que vive unicamente à espera do raro esquece-se de habitar o que pulsa agora.Quando condicionamos a alegria ao encontro com as pessoas “certas”, às férias sonhadas, à viagem almejada, ao enriquecimento, à festa esperada, à compra da casa nova e do carro novo, à conquista de um título ou ao elogio recebido, restringimos o campo da experiência emocional, nos tornamos dependentes do extraordinário e vulneráveis às frustrações.O bem-estar sustentável emerge da capacidade de reconhecer microfontes de prazer e significado. No real da vida temos inúmeras oportunidades de experimentar bem-estar em todos os dias: estímulos sensoriais simples, práticas contemplativas, espiritualidade, percepção corporal e consciência do momento presente. Esses elementos ativam circuitos de regulação emocional, ampliam a resiliência, diminuem a reatividade e a vulnerabilidade ao estresse. E há ainda a verdade que sustenta nossa humanidade: precisamos uns dos outros para ter saúde mental. O inferno não são os outros, pois os outros são salvação. Mesmo que existam pessoas que nos roubam, sempre existirão pessoas que nos devolvem. Não é dependência emocional, mas experiência relacional de manutenção da vida, que traz o toque de ternura que nos reorganiza e desperta, o olhar que nos ancora, o vínculo que nos devolve ao eixo.A saúde mental, então, é essa capacidade de agradecer como quem respira: naturalmente, continuamente. É perceber graça em dormir e acordar, andar e sentar, comer e beber, falar, cantar e silenciar, amar, abraçar, olhar e ver, contemplar e despertar. É confiar no potencial de superação plantado em nós, que nos sustenta diante das inevitáveis vicissitudes da vida. A gratidão é fundamento tanto da resiliência quanto da esperança.E lembre-se, reconhecer que precisa de ajuda ainda é um sinal de saúde mental. Por isso, caso perceba que precisa de ajuda, não hesite em procurar.Cuide de sua saúde Mental!-------------------------------Texto de Carlos José Hernández (médico psiquiatra, doutor em medicina) e Clarice Ebert (psicóloga – CRP08/14038, terapeuta familiar e de casais, mestre em teologia). Clarice Ebert (@clariceebert) é psicóloga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. Sócia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online (individual, de casal e de família). Membro e docente de EIRENE do Brasil.* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.Leia o artigo anterior: Onde a misericórdia mora







