Campo de concentração de Dachau: Sete vidas em meio ao horror
- Quinta-Feira, 26 Março 2026
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Durante a Segunda Guerra Mundial, a Europa mergulhou em um cenário de devastação: milhões de pessoas foram exterminadas nas câmaras de gás, enquanto outras sucumbiam lentamente à fome e às doenças. O cotidiano era marcado pelo medo e pela dor, em um tempo em que a vida humana parecia não ter valor.Foi nesse contexto que nasceu George Legmann, em dezembro de 1944, dentro do campo de concentração de Dachau, na Alemanha. Ele foi o primeiro de sete bebês que vieram ao mundo naquele lugar.Origens e deportaçãoOs pais de Legmann eram judeus da Transilvânia, região disputada entre Hungria e Romênia. Durante o conflito, a Hungria se aliou ao Eixo e recebeu como recompensa a Transilvânia do Norte, antes romena. Essa mudança trouxe consequências trágicas: a comunidade judaica foi alvo de perseguições e deportada para campos de concentração.Na capital regional — Cluj-Napoca em romeno, Kolosvár em húngaro e Klausenburg em alemão — os judeus foram reunidos em uma antiga fábrica de tijolos, escolhida por sua proximidade com a ferrovia. De lá, seguiram em vagões de carga para Auschwitz-Birkenau, o maior centro de extermínio nazista. Entre os deportados estavam familiares de Legmann: seu tio de 16 anos, além dos avós. O tio, debilitado por uma infecção, foi enviado diretamente às câmaras de gás, assim como o avô.Dachau e os nascimentosO campo de Dachau chegou a ter mais de 150 subcampos, todos sob rígido controle. Em um deles, um médico encontrou sete mulheres grávidas. Ao consultar Auschwitz sobre o que fazer, recebeu a resposta de que poderia “agir como quisesse”, já que os soviéticos avançavam e os nazistas tentavam apagar provas de seus crimes.George nasceu em dezembro de 1944. Poucos meses depois, em abril de 1945, Dachau foi libertado pelas forças aliadas. O médico que permitiu a sobrevivência das mães entregou cinquenta latas de leite condensado para alimentar os bebês. Esse gesto pesou em seu julgamento: em vez da pena de morte, recebeu de oito a dez anos de prisão.Entre os prisioneiros havia o ginecologista judeu húngaro Dr. Kovács, que auxiliou todos os partos. A mãe de Legmann, após dar à luz, ajudou o médico nos demais nascimentos.Um dos bebês, Leslie, quase não resistiu: sua mãe contraiu tifo e a placenta não se desprendia. Graças à intervenção do médico, conseguiu sobreviver. Miriam, sua mãe, demonstrou enorme força e foi a última das mulheres a falecer.Um novo começo no BrasilApós o fim da guerra, um tio de Legmann deixou a Romênia e, passando por outros países, encontrou em um jornal alemão o anúncio de uma fábrica de chocolates em São Paulo que buscava um mestre chocolateiro. Com experiência adquirida na antiga fábrica da família, candidatou-se e foi contratado.Em 1960, graças a um acordo diplomático conduzido pelo chanceler Santiago Dantas, cinquenta famílias romenas puderam emigrar legalmente para o Brasil — entre elas, a de Legmann. Em São Paulo, começaram do zero, mas com a oportunidade de reconstruir suas vidas em segurança.Fonte: Alex Solnik Silas Anastácio é fundador do Ministério Davar, evangelista e expositor bíblico com sólida atuação há mais de uma década em temas relacionados ao Estado de Israel e à comunidade judaica. Também desempenha papel estratégico nos bastidores da mídia evangélica, contribuindo para a articulação e divulgação de conteúdos que fortalecem os valores da fé cristã.* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.Leia o artigo anterior: Crise no Oriente Médio: Mesquita de Al-Aqsa sob risco







