China cancela licença de advogados que defendem líderes presos da Igreja Zion
- Quarta-Feira, 25 Março 2026
- 0 Comentário(s)

Autoridades da China cancelaram as licenças profissionais de advogados que defendem um grupo de cristãos perseguidos.Segundo o The Wall Street Journal, os advogados alvos de repressão do regime comunista trabalham na defesa de líderes da Igreja Zion que foram presos no ano passado, incluindo o fundador da denominação, Jin Mingri.Zhang Kai e vários outros advogados ligados ao caso tiveram suas licenças retiradas ou receberam advertências verbais em reuniões com autoridades chinesas.Em uma carta divulgada nesta semana, a Igreja condenou a repressão contra seus advogados."Sentimos profundamente que isso é um desafio claro e passa por cima da justiça e do Estado de Direito", afirmou.Zhang é um conhecido advogado que defende cristãos na China. Ele já foi detido por meses devido a seu trabalho, conforme a China Aid, uma organização que defende a liberdade religiosa e os direitos humanos no país.Grace Jin, filha do pastor Jin Mingri, declarou que o ataque aos advogados pode dificultar a família de obter informações sobre a condição de Jin na prisão e prejudicar sua defesa legal.Cerca de 30 líderes da Igreja Zion – uma das maiores redes de igrejas domésticas da China – foram presos em outubro de 2025 em operações noturnas em várias cidades do país.O Partido Comunista Chinês (PCC) promove o ateísmo e controla rigidamente a prática religiosa, exigindo que os cristãos se filiem apenas a igrejas sancionadas pelo Estado e lideradas por pastores aprovados pelo governo. Igrejas domésticas como a Zion enfrentam perseguição do governo.Atualmente, 18 líderes da Zion, incluindo o pastor Jin, estão presos em um centro de detenção em Beihai, no sul da China.Protesto das famílias dos líderes presosAs famílias dos líderes detidos divulgaram uma declaração conjunta protestando contra a repressão à equipe jurídica."Protestamos veementemente contra ações tão desprezíveis. Advogados que oferecem defesa legal conforme a lei é uma das garantias mais fundamentais dos direitos de todo cidadão. Tirar os advogados do direito de exercer é privar nossos entes queridos da última oportunidade de um julgamento justo. Isso não é apenas uma retaliação cruel contra advogados individuais, mas também um desafio arbitrário ao ponto fundamental do Estado de Direito”, afirmaram no documento.Segundo um representante da família, todos os advogados envolvidos no caso da Igreja Zion estão enfrentando repressão em diferentes formas.Eles sofrem ameaça extrema de terem suas licenças revogadas, investigações frequentes e inspeções, além de reuniões intensivas e advertências administrativas ou ações disciplinares.Igreja perseguidaA Igreja Zion foi fundada por Jin Mingri em 2007 com apenas 20 membros. Com o tempo, a congregação cresceu para aproximadamente 10 mil fiéis em 40 cidades, tornando-se uma das maiores redes de igrejas domésticas do país. Em setembro de 2018, a igreja foi proibida pelo governo após resistir à instalação de câmeras de vigilância em sua sede em Pequim. Desde então, muitas de suas filiais foram investigadas e fechadas. Pedido de libertaçãoEnquanto isso, a família de Jin se mudou para os EUA por segurança, mas ele permaneceu na China pastoreando a igreja, impedido de deixar o país.O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pediu a libertação dos líderes e afirmou que "essa repressão demonstra ainda mais como o PCC exerce hostilidade contra os cristãos que rejeitam a interferência do Partido em sua fé e optam por adorar em igrejas domésticas não registradas".O ex-vice-presidente Mike Pence e o ex-secretário de Estado Mike Pompeo também emitiram declarações condenando as prisões.Pastores e congregações domésticas na China e nos EUA também têm pedido a libertação dos detidos. Sean Long, pastor da Igreja Zion nos EUA, informou que Jin estava preparado para uma repressão dessa escala.Em uma chamada de vídeo no ano passado, Long perguntou o que aconteceria se Jin fosse preso e todos os líderes da igreja fossem detidos. E Jin respondeu: "Aleluia! Pois uma nova onda de avivamento virá então!".A China ocupa o 17° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.







