Entenda por que Minas acompanha resultado das eleições presidenciais desde 1989
- Segunda-Feira, 21 Setembr
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Imagem aérea de Belo HorizonteReprodução/TV GloboDesde a primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar, em 1989, o candidato que venceu a disputa em Minas Gerais também foi eleito presidente da República. Em diferentes pleitos, os percentuais registrados no estado ficaram próximos dos resultados nacionais.A diversidade social, econômica e regional de Minas ajuda a explicar as semelhanças com o restante do país. O estado reúne características de diferentes regiões brasileiras, que aparecem na formação da população, na economia e também no comportamento dos eleitores.✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsAppEssas semelhanças são tema do primeiro episódio de uma nova série de reportagens da TV Globo, exibida a partir desta segunda-feira (21) no MG2. A série mostra diferentes realidades de Minas Gerais e os desafios para quem assumir o governo do estado a partir de 2027.Diversidade regionalMinas faz divisa com seis estados e o Distrito Federal. Segundo Bruno Durão, professor do Departamento de Geografia da PUC Minas, a localização e o processo histórico de ocupação ajudam a explicar as diferenças entre as regiões do estado.O Norte e o Nordeste mineiros receberam influência de populações vindas do Nordeste do país. A região Central foi marcada pelo ciclo do ouro, enquanto Sul, Sudeste e Zona da Mata tiveram influência de movimentos de ocupação e atividades econômicas de São Paulo e do Rio de Janeiro.As diferenças também aparecem na economia. As regiões Metropolitana, Central, Oeste e Zona da Mata concentram 52,89% do PIB mineiro, percentual próximo à participação do Sudeste no PIB brasileiro, de 53,13%.O Sul de Minas e o Campo das Vertentes representam 16,10% da economia estadual, enquanto a Região Sul responde por 16,81% do PIB nacional. Norte de Minas e Jequitinhonha concentram 5,49% do PIB estadual.Minas e Brasil nas urnasDesde a primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar, em 1989, Minas acompanha o resultado nacional.Em 1989, candidatos de direita venceram no estado e no país. Em 1994 e 1998, foram candidatos mais ao centro. Depois, candidatos de esquerda venceram quatro eleições consecutivas, entre 2002 e 2014. Em 2018, candidatos de direita voltaram a vencer. Em 2022, a esquerda recebeu novamente a maioria dos votos.Na última eleição presidencial, os percentuais de Minas ficaram próximos dos nacionais. No segundo turno de 2022, o candidato de esquerda recebeu 50,21% dos votos válidos no estado e 50,90% no Brasil. O candidato de direita teve 49,79% em Minas e 49,10% no país.O cientista político Felipe Nunes, professor da FGV e diretor da Quaest, define Minas como um “estado pêndulo”.“É um eleitorado que está disposto a mudar de opinião e de posição”, afirma.Diferenças regionais no votoO comportamento dos eleitores também varia dentro do estado.Em 2022, Norte de Minas e Jequitinhonha deram maioria dos votos à esquerda, assim como ocorreu no Nordeste brasileiro. No Sul de Minas e Campo das Vertentes e no Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste, a direita teve maioria, comportamento semelhante ao registrado nas regiões Sul e Centro-Oeste do país.Nas regiões Metropolitana, Central, Oeste e Zona da Mata, a direita também ficou à frente, assim como ocorreu no Sudeste brasileiro. Nos vales do Rio Doce e Mucuri, o resultado ficou mais equilibrado, a exemplo da Região Norte do país.Desafios para os candidatosPara Lucas Gelape, professor de Ciência Política da UFMG, o tamanho do eleitorado e a diversidade regional ajudam a explicar a importância de Minas nas eleições.Segundo ele, o estado é econômica e politicamente desconcentrado, o que exige dos candidatos atenção às diferentes regiões, e não apenas a Belo Horizonte.







