Feminicídios em alta e medo das facções: os desafios da segurança em Minas

  • Quarta-Feira, 23 Setembr
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Feminicídios em alta e medo das facções: os desafios da segurança em Minas

Viatura Polícia Civil Minas Gerais PCMGPolícia Civil/DivulgaçãoA violência é a principal preocupação de 33% dos brasileiros ouvidos pela Quaest em agosto. Em Minas Gerais, o tema está entre os desafios de quem assumir o governo do estado em 2027.As mortes violentas intencionais caíram no estado em 2025, mas os feminicídios aumentaram. Os números mostram que a melhora em um indicador convive com a violência contra mulheres e com o medo provocado pela atuação de facções criminosas.✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsAppEntenda os desafios da segurança em Minas a partir dos seguintes pontos:Violência contra mulheresAumento de feminicídiosMedo das facções Queda do número de mortes violentasViolência contra mulheresA advogada Verônica Suriani terminou um relacionamento de quase dois anos depois de ser agredida pelo então namorado. Segundo ela, após a separação, o homem passou a persegui-la, enviar ameaças e danificar seu carro.Nos seis meses seguintes, Verônica registrou boletins de ocorrência e denunciou descumprimentos de uma medida protetiva. Em maio de 2022, foi esfaqueada 17 vezes pelo ex-companheiro em uma rua da Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os filhos dela, então com 7 e 10 anos, presenciaram o ataque.“Quem me salvou foi a minha babá, a Patrícia, que lutou com ele e tomou a faca dele”, conta. Quatro anos depois, Verônica ainda sente dores no braço e nas costas. “A minha maior sequela é a dor dos meus filhos, que não tem reparação nenhuma.”Agora no g1Aumento de feminicídiosMinas registrou 177 feminicídios em 2025, ante 169 em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. No mesmo período, as tentativas de feminicídio caíram de 248 para 207.As ocorrências de lesão corporal dolosa contra mulheres em contexto de violência doméstica ficaram próximas de 24 mil em cada um dos dois anos: foram 24.196 em 2025 e 24.142 em 2024.Após se recuperar, Verônica fundou uma rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Ela defende ações nas escolas para discutir machismo e violência doméstica, além de acolhimento e apoio financeiro para mulheres que precisam deixar uma situação de risco.A professora e pesquisadora Ludmila Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que os serviços de saúde podem ajudar a identificar mulheres em perigo. Algumas vítimas, explica, recebem atendimento após agressões, mas não registram ocorrência na polícia.“Muitas mulheres vítimas não vão à polícia registrar, mas elas registram isso no sistema de saúde”, diz. Para Ludmila, integrar as informações dos dois setores pode ajudar a prevenir novos ataques. Medo das facções No Jardim Laguna, em Contagem, na Grande BH, moradores relatam mudanças na rotina após episódios de violência ligados à disputa por pontos de tráfico. Em julho, um confronto na região deixou três mortos e dez feridos.Uma moradora, que não será identificada por segurança, estava em casa quando ouviu os tiros. “Eu só pensava em esconder meus filhos”, relata.Outro morador, que vive há mais de 40 anos no bairro, diz que passou a evitar voltar tarde para casa. “O bairro virou um bairro fantasma em determinada hora. A gente ainda sente essa insegurança”, afirma.Segundo a polícia, traficantes locais se envolveram com duas facções criminosas de atuação nacional. As polícias Militar e Civil intensificaram as operações na região.Para Ludmila Ribeiro, o combate às organizações criminosas exige trabalho de inteligência, inclusive para identificar movimentações financeiras. “A boa polícia é a polícia que não deixa o crime acontecer”, afirma.Queda do número de mortes violentasMinas registrou 2.770 mortes violentas intencionais em 2025, ante 3.219 em 2024 — uma queda de cerca de 14%. A taxa estadual foi de 12,9 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da taxa nacional de 19,1. O indicador inclui homicídios, latrocínios e mortes decorrentes de intervenção policial.A redução no estado, porém, não se reflete da mesma forma em todas as cidades. Entre os 36 municípios mineiros mais populosos analisados pela reportagem, Araguari, no Triângulo Mineiro, apresentou a maior taxa: 38,89 mortes violentas por 100 mil habitantes. Em Belo Horizonte, a taxa foi de 14,49.A violência contra mulheres e a atuação de facções criminosas são temas da terceira reportagem da série Minas Brasil, do MG2, sobre os desafios para o próximo governador de Minas Gerais.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/eleicoes/2026/noticia/2026/09/23/feminicidios-em-alta-e-medo-das-faccoes-os-desafios-da-seguranca-em-minas.ghtml
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