Violência com maquiagem sagrada!

  • Sexta-Feira, 20 Março 2026
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Violência com maquiagem sagrada!

Ainda existem ideias que colocam homens e mulheres em posições desiguais, como se um tivesse sido criado para mandar e o outro para obedecer. Alguns discursos continuam promovendo o mito da superioridade masculina, legitimando um sistema que se alimenta de controle, medo e silêncio. Essa mentalidade cultural e histórica, muitas vezes travestida de espiritualidade, transforma opressão em “ordem” e submissão em “virtude”. Assim, o que deveria ser parceria vira domínio, e o que deveria ser cuidado se transforma em controle. É violência com maquiagem sagrada.Nessa lógica, o homem é superior e a mulher inferior. Ela se torna um recurso, um objeto ao serviço das necessidades e vontades dele. Sob esse olhar, ele dita as regras e ela baixa a cabeça.E quando isso se mistura à cultura da violência, que moldou gerações, surgem homens que acreditam ter o direito de gritar, humilhar, vigiar, punir, “corrigir”, bater e até matar. Uma lógica machista do provedor e dono da mulher. Não é cuidado. Não é amor. É abuso. E abuso não vira sagrado só porque alguém cita um texto bíblico. Enquanto homens são discipulados e validados nas montanhas por essa lógica, a violência vai mantendo uma maquiagem sagrada, que contribui para que mulheres sigam descendo às covas, da alma e dos cemitérios.Alguns chegam a interpretar que amar “como Cristo amou” significa assumir o controle, como se fossem senhores da vida das mulheres. Mas isso é uma distorção perigosa. O texto não fala de autoridade; fala de amor. O chamado não é para governar, mas para amar. Não pede que o marido seja o Cristo da esposa, mas que expresse um amor de entrega, que não oprime, não invade, não violenta. A submissão não cabe a mandos e comandos, imposições e definições. Cabe unicamente no acolhimento e correspondência a esse amor: “como Cristo amou”.Enquanto essa verdade não for despertada, na mente e coração, nos púlpitos, mesas e montanhas, muitas mulheres continuarão sendo orientadas a sofrer em silêncio, acreditando que suportar abusos é demonstração de fé ou virtude de uma “lady de Jesus”. Não é. Silêncio não redime violência. Opressão não gera cura. E, acima de tudo, não reflete nenhum princípio de vida, dignidade ou paz.Homens e mulheres existem para caminhar lado a lado. Qualquer relação que não reflita isso precisa ser revista com coragem, honestidade e cuidado. É urgente romper com interpretações que aprisionam e dar voz a uma espiritualidade que sustenta a vida, a dignidade, o amor e o respeito. Não há mais espaço para justificar a violência com maquiagem sagrada. Nenhuma mulher nasceu para ser dominada. Todas nasceram para viver em plenitude, liberdade e honra. Clarice Ebert (@clariceebert) é psicóloga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. Sócia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online (individual, de casal e de família). Membro e docente de EIRENE do Brasil.* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.Leia o artigo anterior: Fala iluminada: A vida que vem de Jesus

FONTE: http://guiame.com.br/colunistas/clarice-ebert/violencia-com-maquiagem-sagrada.html
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